15 março 2019

Não leia os comentários

Quando resolvi fazer um blog, no meio de 2012, no auge dos blogs de moda, a última coisa que eu pensei foi em falar sobre a minha vida como ela é. Antes de tudo isso, em 2008, criei um blog pra mim mesma, que inclusive existe até hoje e assim continua: de mim, para mim mesma. Às vezes até solto um link ou outro do que escrevo, até trago de vez em quando pra cá em uma série que inventei: coisas que já escrevi. Mas as coisas mais íntimas, mais minhas, mais eu, nem lá estão publicadas. 


Eu pressenti que a internet não seria saudável sempre pra mim. E por isso também nunca quis fazer do Tipo Assim e de mim um produto. De uns tempos pra cá, faço ainda mais coisas que fazem sentido pra mim, tanto nas redes sociais quanto no dia-a-dia offline. Quando comecei a gravar vídeos com textos da Clarice, eu divulgava no meu perfil pessoal, só quando várias pessoas começaram a me seguir e me adicionar pra terem contato e mais fácil acesso aos vídeos, eu passei a publicar na fanpage do blog e no youtube

A gente sabe que nunca vai agradar todo mundo, isso a gente aprende desde cedo. Principalmente quem trabalha com arte e cresce dentro de uma escola de teatro onde qualquer pessoa critica, elogiando ou não teus trabalhos.

Mas é que a internet é terra de ninguém. Qualquer pessoa pode fazer um perfil em rede social e inclusive esconder a cara pra se sentir ainda mais no direito de não fazer crítica, mas "dar uma opinião" que não acrescenta em nada a não ser abalar a autoestima de quem lê. 

Aconteceu algumas vezes comigo. E não é todo dia que levo numa boa. Eu me afastei da internet  porque eu não dou conta de ler comentários que me desestruturem emocionalmente. E eu não falo do conteúdo dos comentários, mas o que mais me atinge é saber da existência de pessoas desumanas e sem empatia pelos outros. Parei de ler comentários não só nas minhas redes, mas principalmente nas redes das outras pessoas que sigo.   

Parei de ler os comentários de notícias. Sobre política, sobre feminicídio, sobre Marielle, sobre o que aconteceu em Suzano. Afastei os botões das redes sociais da tela principal do meu celular, silenciei os grupos do whatsapp. Escrevo aqui pra eu mesma ler daqui a um tempo e tentar chegar a alguma conclusão em relação às redes.

Mas no momento, a única coisa que eu consigo pensar é: não leia os comentários.   

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