11 fevereiro 2019

Botão da Insegurança



Fui programada, inconscientemente, quando era mais jovem, a me sentir inferior aos meninos. Lembro que eu não só tinha muita vergonha de me aproximar deles, como me sentia inferior mesmo, achava que eles eram, naturalmente, mais inteligentes que eu. Claro que a minha questão de autoestima também tá envolvida nisso, mas era algo que eu, por ser uma menina, achava que era assim e pronto. 

Demorei muito pra entender que não. Muito mesmo. E por isso, provavelmente, me submeti a relacionamentos que me colocaram em situações constrangedoras ou fui privada de algumas coisas. 

Quando eu conhecia meninos, independente da idade, eu ficava extremamente tímida, calada. Virava um bicho do mato. E isso se repetiu algumas vezes, inclusive recentemente, o que me fez refletir sobre isso tudo.

Como eu me sentia inferior, eu acabava ignorando a presença da pessoa que me causava isso (acabava sendo até mal educada, mas entenda, era inconsciente). Eu há dias tenho pensado sobre isso, e concluí que é um botão que ativa, inconscientemente, em mim, e eu não tenho acesso a ele (ainda).

Falei no instagram (@valeriaslima_) que uma das coisas que mais me deixam insegura atualmente é não saber falar inglês. E aconteceu algumas vezes de eu estar na presença de gringos que não falavam português e eu ignorar total a pessoa por insegurança, vergonha e medo. E por mais que eu entendesse o que falavam, minha cabeça dizia pra mim que não, que não era isso o que tavam falando, que eu não conheço a língua e portanto a minha compreensão tava errada. E é duro demais lutar comigo mesma enquanto algo acontece ali, na hora, então a minha resolução é ignorar e não sair da minha zona de conforto. 

Refletir e concluir isso me fez entender o porquê que eu ignorava e me isolava dos meninos desconhecidos. Eu me sentia inferior. E eles falavam a mesma língua que eu. Estavam no mesmo lugar que eu. Mas acomodei com a ideia de que eu era inferior e não conseguiria conversar com um desconhecido. 

Ainda bem que abracei a minha capacidade de ser inteligente, bonita, legal e engraçada. Conseguir comunicar minhas ideias, pensamentos e opiniões é libertador e eu queria muito ter entendido isso mais nova. Agora que entendo o que acontece e que não sou inferior a homem algum, o próximo passo é acreditar e confiar no meu entendimento de inglês, afinal, comecei a estudar a língua e aprendi que não sei tudo, mas que tudo bem também. 




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