07 janeiro 2019

Coisas que já escrevi: Ana



Era cedo quando Ana saiu.
Com os cabelos no alto, a vida lhe esperava.
Ao caminhar, seguia como quem sabia pra onde ir. Mas a verdade é que Ana de nada sabia.

Ana chegou longe, e de onde quer que ela tivesse partido, pra onde quer que ela tivesse ido, de longe ela perguntou do amor.

Pra Ana, a vida lhe presenteava. Não era fácil se deixar levar.

Não, Ana não tinha uma vida pacata. O tempo corre.
Ocorre e demora pra morrer às vezes. Demora tanto que não adiantava a pressa.

Foi da vida que Ana herdou o querer. O desespero de viver, a vontade de não ir, o querer de não partir, ainda assim a vida lhe fez viver e não ver.

Era um troço que lhe sobrava do amor, esperança e saudade. O combinado era não desmerecer.

Pra Ana, correr o risco já era o suficiente. E foi-se.

(em março de 2016)
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