04 junho 2018

Vivo em mim


Não está mais em mim a possibilidade de não me ter. 

Outro dia me peguei pensando que não queria companhia, não queria dividir o momento que eu queria ter, o lugar que queria ir. E a questão não é dividir, não é ser egoísta de querer algo só pra mim. Mas é que eu passei tanto tempo achando necessária essa divisão, esse compartilhamento, ceder o que é meu e o que sou em busca da felicidade do outro, porque também era a minha, que acabei esquecendo de como era ter tudo isso sem essa obrigação, mesmo que leve e espontânea, de dividir. 

Desconstruir o que eu mesma criei, porque sentia que precisava, é uma busca de mim em mim mesma, por isso o reconhecimento do que é do outro e que tá em mim. Mas eu também preciso lembrar das minhas próprias partes, dos meus extremos conectados por ligações próprias minhas, dos meus sentimentos que geralmente demoram a sair de mim. 

Não ignoro os privilégios que me favorecem, assim como não mais assumo a culpa de não poder abraçar e carregar o mundo. Minhas responsabilidades são só minhas e jamais as desprezarei, porque também me fazem ser.

Minha felicidade, beleza, confiança e inteligência não faz de mim dona das características que os outros também possuem. Ser minha não faz com que eu me castre da dor, muito menos da frustração, porque também não são domadas e me fazem ser quem serei amanhã. 

Por hora, me contento em me encontrar hoje pra me perder amanhã, porque o reencontro comigo sempre é bom, saudável e extremamente necessário. 


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