18 janeiro 2017

Sutiã



Foi bem clara a transformação na minha cabeça sobre o sutiã. 

Uma vez, quando eu era criança e não tinha seios, minha mãe comprou um conjunto de calcinha e sutiã da Barbie. Era amarelinho, com glitter nas alças, bem delicado e infantil. Mas o sutiã apertava. E, repito, eu não tinha seios. 

Eu usava porque passei por uma curta fase de criança que quer ser adolescente. Queria que todo mundo soubesse que eu usava sutiã pra me acharem mais velha do que eu era, então usava mesmo me incomodando. 

Pois bem, cresci (eu, os peitos demoraram um pouco) e o negócio ficou impossível de ser usado. 

Quando meus seios começaram a crescer, eu demorei a usar sutiã justamente porque eu tinha a lembrança de que esse troço apertava demais. Só comecei a usar depois que um colega da escola, na brincadeira de puxar o sutiã das meninas pro elástico bater nas costas, foi tentar puxar o meu e não encontrou nada. Morri de vergonha e passei a usar, mesmo sem precisar. 

A partir daí comecei a usar todo dia, toda hora, todo momento, pra todo o sempre, até porque os seios começaram a crescer. MAS PERA

Um dia (recentemente, tipo 2015) eu pensei: esse negócio me aperta, por que tenho que usar? 

Por coincidência, no mesmo ano, na pesquisa pro meu TCC, vi a discussão das mulheres sobre o sutiã. E ~tcharan~ descobri: não somos obrigadas a usar!

Parece simples, mas quando temos uma ideia construída e fortalecida dentro de casa, entre amigas, família, e etc, deixar de usar algo que, culturalmente, você é obrigada a usar pra não ser julgada, ou pra não correr o risco de pagar peitinho (pq né?!), o usar ou não usar acaba se tornando não tão simples assim. 

Ainda tô desconstruindo a ideia e às vezes ainda me pergunto se meu peito tá aparecendo. Se me sinto insegura, algumas vezes opto por sutiã sem bojo - aqueles de renda são uns amores - ou uso aquela parada de silicone que cobre só o mamilo mesmo. Mas tudo isso já é um grande alívio.

O modices fez até um post sobre isso bem legal, a Amanda Campelo, do Nós Vamos Assim, também tá nessa desconstrução e até brinca falando #peitinhoslivres. 

Claro que tem gente que prefere usar, aqui eu tô expondo a minha vivência mesmo. E a questão em si não é usar ou não, mas sim ter POSSIBILIDADES. A escolha deve ser, obrigatoriamente, NOSSA (não das pessoas que veem os nossos mamilos; ou do boy que não aceita o fato dos nossos peitos serem nossos, apenas nossos!; ou de qualquer outra que não seja você e seu conforto e autoestima). 

Ninguém é obrigado a nada, né mores? A não usar ou a usar. O corpitcho é teu, os mamilos também e é isso. 

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