08 julho 2016

Conheça e use: Maria Acheropita

Nossa Senhora Achiropita, como as outras santas, tem uma história bonita de aparição, a dela, especificamente, é em uma obra de arte. O nome Achiropita significa "não feito por mãos"; "não pintado por mãos". O nome Josué, também religioso, reflete uma aproximação com o divino. 

Não, não fiz do Tipo Assim um blog sobre religiões. Mas essa conexão que fiz com os nomes está bem relacionada à arte, à criatividade, pra mim, interagem intimamente. Explico. 

Não é todo dia que a gente vai ao brechó e encontra um rapaz escolhendo saias, não é? Em meio ao vuco-vuco das roupas usadas, conheci o Josué Castilho. Logo fomos nos apresentando e dando pitaco na escolha das saias, tanto na minha quanto na dele. Rápido eu descobri que ele tem uma marca de acessórios e é do tipo de pessoa que tem um astral daqueles que fazem diferença no nosso dia. 

Depois de conhecê-lo, tirei um dia pra conversarmos. Eu sempre acho os acessórios mais bonitos depois que conheço o que há por trás. 



O Josué nasceu no Marajó mas veio pra Belém com 6 anos. Entre idas e vindas, desde pequenininho, tecendo paneiros por influência da avó, ele trabalha com artesanato. Uma vez ou outra fazia e vendia bijuterias pra algumas pessoas que pediam. 

Pensando em divulgar os acessórios e em se profissionalizar, em maio deste ano, o Josué criou a fanpage da Maria Acheropita, nome inspirado na santa que falei no início. Por isso a relação dos nomes.

Brincos, colares, pulseiras e turbantes com uma pegada afro e paraense ao mesmo tempo. "Simples e bafônico", descrito pelo próprio Josué.



As peças tem as cores inspiradas na África, mas, pra confeccioná-las, ele dá prioridade pros materiais encontrados pela Amazônia, como o ceru, uma espécie de castanha que ele tem experimentado fazer argolas.


foto: Imago Lucis Fotografia

Liberdade. Essa foi a palavra escolhida pra ele trabalhar. Pra ele, a liberdade, que existe quando as pessoas assumem suas origens, seus cachos, sua ancestralidade, vem de alguma atitude. Atitude que pode ser estimulada pelo uso de um turbante por alguém que tem medo do que as pessoas vão pensar ou falar. Pra ele, a Maria Acheropita tá aí pra colaborar com atitude, com a liberdade, e, consequentemente, com a autoestima das pessoas.

O visual do Josué não é à toa. É pra causar mesmo. Ele é o próprio cartão de visita. Ele me falou, inclusive, que esse período de construção da marca contribui muito com a vontade dele de usar o que quiser, de ser extravagante, ousado.

Não fiz questão de falar que o nome dele pode refletir em uma aproximação com o divino porque eu simplesmente quis. São pessoas como ele, que se assume, que pega um cobertor e enrola como um turbante na cabeça, que pega tudo o que aprendeu lá no Marajó e pesquisa, estuda, corre atrás pra fazer seu próprio negócio, pra trabalhar com artesanato, que nos fazem acreditar no divino.

Quando digo que amo conhecer os criadores de moda, está aí a explicação. Pra conhecer mais o trabalho do Josué, é só curtir a fanpage da Maria Acheropita e seguir no instagram @maria_acheropita.


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