29 julho 2016

Como um simples comentário pode afetar nosso pensamento

Perto da minha casa tem um restaurante saudável. De fato, é bem gostoso e movimentado. Sempre que vou encontro diversos tipos de pessoas: magras, gordas, malhados e malhadas. Tá na moda comer saudavelmente, não é?

ilustração: Layse Almada

Outro dia fui almoçar lá. Na mesa ao lado da minha, haviam duas mulheres. Uma delas via fotos no instagram e vira e mexe comentava algo com a amiga. Não, não prestei atenção na conversa delas, mas ouvi dois comentários que me fizeram pensar no quanto ainda temos que fortalecer a história de que cada um deve se sentir bem com o corpo que quiser ter.

"A fulana é muito magra, devia malhar"; "A mulher parecia uma travesti, muito grande, musculosa e alta" (como se parecer com uma travesti fosse negativo...mas essa é outra discussão). Vejam bem, a mesma pessoa falando de pessoas diferentes, mas, segundo ela, uma devia malhar mais e outra menos. Será? 

Em pleno 2016 e os corpos ainda devem seguir um padrão? Quem escolhe esse corpo?

A gente passa uma boa parte da vida com dificuldade de nos aceitar e, como se isso já não bastasse, também rejeitamos o corpo do outro (ou almejamos ter um igual). E isso parece virar um ciclo vicioso. 

Eu sei, foram apenas comentários de uma pessoa sobre outra, talvez até sem maldade, mas não seria mais legal se respeitássemos os nossos corpos? 

Faz tempo que me desliguei da roupa que a fulana veste. Ou de como ela usa o cabelo. Ou do quanto ela está gorda.

A gente não tem só que aprender a não ligar pros comentários alheios, a gente tem que aprender a não comentar. 

São pequeninas coisas que fortalecem nossa autoestima. Imagina se as cacheadas nunca tivessem escutado que cabelos lisos são mais bonitos, práticos e caem melhor? E se as gordas estivessem em mais editoriais nas revistas de moda? Se o mercado lembrasse da moda inclusiva? E assim vai. 

Ninguém deve malhar mais, ou menos. Pra ficar bonito pra si, deve malhar o quanto quiser (e se quiser).

Isso também pode estar ligado à sororidade. Em tempos onde as mulheres se unem contra o machismo e defendem a união feminina, devemos lembrar que a autoestima contribui com as nossas forças. Não nos derrubemos com comentários que desvalorizam o corpo alheio. Sejamos honestas com a necessidade de ter que apoiar umas às outras em tudo o que for preciso e possível.

Vamos fazer o exercício de entender que a beleza está na segurança de cada uma?   
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