27 janeiro 2016

Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior




Eu pensei umas 500 vezes antes de escrever esse post. Escrevi uns 300 textos e apaguei todos. Escrevo esse sem saber como finalizar, se vou ter coragem de divulgar, ou se vai ser mais um pra ficar guardado nos rascunhos. Acho que inclusive o motivo pra isso tudo acontecer, e não acontecer ao mesmo tempo, é o mesmo motivo pelo qual estou escrevendo esse texto: insegurança. 

Desde muito pequena eu vivo insegura. Cabelo, corpo, roupa, olhos, dentes, gestos. Várias destas coisas me deram e dão inseguranças. Sempre fui muito magra, então conviver com apelidos como 'seca' ou 'Olívia Palito' não é novidade. No início odiava muito, sentia muita vergonha de ser apelidada por pessoas que eu não conhecia, ou conhecia mas não tinha intimidade.

Uma vez eu tava a caminho de uma festinha da escola com a minha mãe, eu devia ter uns 9, 10 anos. Adorava contar as coisas da escola pra mamãe, e enquanto eu contava algo sobre alguém, chamei a pessoa pelo apelido e não pelo nome. "Não chame ninguém pelo apelido, é feio" - e mesmo falando que todo mundo o chamava daquele jeito (que não lembro como era), ela continuou: "todo mundo pode chamá-lo assim, mas ninguém sabe se ele realmente gosta". E minha vida inteira fez sentido. A partir daí, só chamo alguém por apelido quando a própria pessoa se apresenta de tal forma. 

Eu quis, naquele momento, que as mães de todas as pessoas que me apelidavam no colégio, no prédio, ou em qualquer outro lugar, fossem iguaizinhas à minha. Mas, infelizmente não eram e os apelidos continuaram. Por diversas vezes entrei na brincadeira, chega um momento que ou tu ri, ou tu ri, porque chorar eu chorava de qualquer jeito, caladinha, escondida em casa. 

Quando fui crescendo, eu aprendi em alguns momentos demonstrar a minha insatisfação com alguns apelidos, mas nem sempre funcionava, muitas vezes, inclusive, o resultado era oposto do que eu esperava e, propositalmente, por demonstrar desgosto, eu era apelidada.



Isso tudo influenciou na minha insegurança. E diversas coisas e neuras de adolescência foram acrescentadas e piorando mais a situação. Eu sempre me vesti diferente das minhas amigas, pelo menos da maioria delas. Na época áurea dos emos, eu tinha a franja e as pontas do cabelo pintadas de vermelho, usava pulseiras de bolinhas e cordões de dadinhos. E assim eu me achava incrível. 

Não sei se bonita é a palavra, mas me sentia bem. Sabe aquela história de: "se tem algo dando 'errado' ou que seja 'diferente' dos demais, destaque"? Pois é. E, apesar de ser uma das épocas onde mais sofri bullying de pessoas desconhecidas, era quando eu mais me sentia bem. 

Mas fui amadurecendo e sendo, de alguma forma, cobrada por algo que não sei bem o que era, e a insegurança voltou. E pior. Mexeu não só com a minha aparência, mas com o meu sentimento de capacidade. "Não sou capaz de passar no vestibular"; "não sou capaz de ter alguém que goste de mim"; "não sou capaz de fazer algo legal e diferente"; "não sou capaz". 

E não é drama não. É sério mesmo. Hoje em dia, eu não ligo mais pros apelidos. Mas fiquei insegura de uma outra forma. Todo dia acordo lutando comigo mesma pra seguir em frente. E não tenho problema nenhum com 'nãos' dos outros. Acredito que pelo teatro, eu recebo críticas de uma forma muito tranquila (até demais pro meu gosto). O problema são os 'nãos' que eu recebo de mim mesma. 

Talvez seja só uma fase. Talvez passe logo. Mas talvez não. Por isso tenho me percebido mais e buscado me achar (de todas as formas). Quando percebo que nos meus pensamentos estão coisas relacionadas a: 'o que será que vou parecer se postar isso?', eu busco mudar pra: 'eu gosto e é isso que importa'. Portanto, se um dia eu fizer algo que vocês pensem: 'essa menina se acha demais', me avisem porque aí vou saber que melhorei.



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