05 abril 2014

Você já ouviu falar em estilista de quadrilha junina?

Pois é, existe. E não falo daquelas quadrilhas de escola, onde o desenho é uma coisa simples, só pras mães entenderem que a filha deve usar uma saia e uma blusa e o filho uma calça com bandeirinhas e uma camisa quadriculada. Falo daquelas quadrilhas que participam de concurso e passam meses e meses ensaiando para, no final, apresentarem pra uma grande plateia com aplausos e gritos no final.

Já prestaram atenção no quanto os figurinos são bem trabalhados e detalhados? Já pensaram na equipe que está por trás disso e na pessoa que desenhou? Pois então, hoje eu trouxe um pouco do trabalho do Leonildo Santos, estilista de quadrilhas juninas (e outros talentos a mais). 
 


Conheci o Leonildo em 2011, ele fazia parte da equipe de figurino do espetáculo de conclusão do meu primeiro ano no curso Técnico em Ator, A Casa da Viúva Costa. O espetáculo era de época, contava uma história que se passava em Belém, nos anos 30. Os figurinos eram lindos, foram desenhados e confeccionados com um cuidado que só quem acompanhou o processo sabe. 

Outro dia, vi no facebook alguns dos croquís que o Leonildo faz pras quadrilhas daqui do Pará. O que me chamou atenção e me inspirou pra esse post, foram os detalhes e as cores dos desenhos. 


O início do amor pela moda aconteceu ainda criança. Ele era quem produzia as roupas das bonecas pra brincar com suas primas e, segundo ele, as roupas não eram só de tecidos, mas também de plástico ou papel. A partir daí, passou a desenhar algumas peças e tentar reproduzir, com a ajuda e convivência da mãe, que era costureira, os desenhos. 


Os trabalhos começaram em casa mesmo, desenhando peças para amigos e familiares para levarem às costureiras e explicar melhor o que queriam. Em 1994, foi convidado pelo grupo de quadrilha junina Esperança Junina para o seu primeiro trabalho "profissional": confeccionar alguns figurinos para o grupo.


Esse ano, o Leo já tá trabalhando nos figurinos de três quadrilha, a Roceiros da Barão, do bairro do Guamá, que está com ele há cinco anos, a Rosa Vermelha, da Terra Firma, que está há dois, e o grupo Mandacarú, que, pela primeira vez, usará suas criações.

Para criar as peças, o Leonildo conversa com a direção do grupo e, principalmente, com o coreógrafo, que geralmente já tem algumas ideias, escuta as músicas, e depois passa para algumas pesquisas, uma junto com o grupo, e outra profissional e pessoal.


Algumas vezes, além de produzir os croquís, ele elabora também um protótipo do figurino que será produzido na quantidade desejada pelas costureiras de cada grupo e, claro, ele fica assessorando tudo em visitas nas sedes das quadrilhas.


"Hoje, no alto dos meus 40 anos, me sinto cada vez mais preparado para assumir a postura de artista diante da vida. Para mim, todo trabalho se torna digno a partir do momento que é bem feito. Sei que é difícil enriquecer dependendo de arte em nosso país e, principalmente, aqui no Norte, porém, quando me dou conta de que a minha arte é o meu destino, o meu melhor, a tradução do amor que carrego dentro de mim, sinto-me imensamente grato a Deus pelo dom que dele recebi", ressaltou.


Além da quadra junina, o Leo também trabalha com figurinos para companhias de dança e no carnaval. Atualmente, ele faz parte da equipe do estilista Carlos Amílcar, que confeccionou o figurino da atual campeã do concurso Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense, onde trabalhou como designer de fantasias. 

 foto: Alexandre Yuri/G1

Já deu pra ver que ele é talentoso né? Acho incrível esses trabalhos, maravilhoso descobrir as diferentes vertentes da moda e do quanto ela tá presente na vida das pessoas. Quando vejo trabalhos como esse, fica ainda mais claro e óbvio: moda também é arte.


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2 comentários:

  1. Verdadeiras obras de arte, eu não conhecia;

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