23 outubro 2018

Obrigada por vocês me resgatarem para mim



Meio de 2016. Eu tava em crise. Achava que não servia mais pra nada. Teatro pra quê? Jornalismo pra quê? O cara que eu namorava na época não elogiava meus trampos, meus textos, minhas fotos. Pra que eu servia?

Sempre que esse tipo de pensamento vinha na minha cabeça eu sabia que tinha algo errado. Aí me metia a fazer fotos pra eu me achar bonita. E no meio disso tudo, resolvi gravar um vídeo com um texto que achava um máximo, da Clarice Lispector. E tudo começou aqui. AQUI.  

Postei. Gostei, vi que gostaram, e fui fazendo mais. 

E mais. E foram gostando mais. E as pessoas pediam a minha opinião sobre seus próprios textos. E descobri que foi com o acúmulo desses momentos que eu voltei a acreditar em mim. 

Eu não quero perder esse espaço aqui, essa troca. A minha vontade é de me reorganizar e conseguir dividir aqui o que acontece comigo e dividirmos esses momentos de identificação. Eu não tô sozinha, vocês também não. Eu vou conseguir. Vocês sempre me resgatam de mim mesma. Eu quero resgatar de vocês quando for preciso também. Mais vezes. 

Obrigada por vocês me resgatarem para mim. Eu mereço ser feliz. Vocês também. Vamos?  
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08 setembro 2018

O título vem depois do fim


Enquanto energizo a minha casa, me deu vontade de escrever. Sem parar. A música rola e eu, sentada na cama, sem saber como terminar a escrita, escrevo. Ainda assim escrevo. 

Tenho fome e uma vontade imensa de ser feliz. Eu ainda tenho tempo. Tenho? Tenho!

O que me faz lembrar do que venho pensando ultimamente. É que ser feliz basta.

A minha boca arde, mas junto com o vento que leva o mal, tudo passa. Até uva!

Eu não quero carne. Eu estou de amarelo porque eu quero atrair tudo o que for de riqueza boa. O que inclui também o dinheiro. 

Dói ser só, mas eu consigo. Eu quero. Eu amo. Sobrevivo. 

Sobre viver. Título que vem depois do fim (e todo fim é recomeço). 
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03 setembro 2018

EU NÃO SOU MAIS UMA BLOGUEIRA DE MODA

Eu tinha 20 anos quando criei o Tipo Assim. Seis anos se passaram e eu já fui muitas. Em meio a tantas que fui, nunca amei tanto quem eu sou agora. Sem medo de falar, sem medo de sentir: eu me amo. E eu vi esse processo inteiro em mim. Tenho esse canal e que, meio relapsa, amo do meu jeito. No meu tempo eu aceitei: não sou mais uma blogueira de moda (se é que um dia fui). 

foto da miga @babigibson                               

Esse espaço online nunca disse quem eu sou, mas sempre revelou partes minhas. Fases. Momentos. Expectativas e realidades. Agora mais que nunca, imersa em mim, se eu vier dividir alguma coisa aqui (e pretendo), será sobre a minha vida, meus pensamentos e sentimentos (o que não exclui eu postar as fotos vestindo minhas roupinhas, porque elas também me são - mas sem fofocas porque ninguém aqui é tv fama).

Ressignifiquei meu corpo, minha existência, tudo. Eu, que tantas vezes dividi sempre com um pé atrás os meus pensamentos acelerados, os meus sentimentos sobre meu corpo, que tantas vezes fugi porque não queria admitir o caminho que isso aqui tava tomando, assumo: não sou mais uma blogueira de moda.

Talvez não faça sentido algum esse texto, esse desabafo, esse encontro meu comigo mesma e com quem mais estiver lendo. Mas talvez faça todo sentido. Talvez, se tem uma coisa que faça esse texto, é sentido. Pelo menos pra mim. E que bom. 



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04 junho 2018

Vivo em mim


Não está mais em mim a possibilidade de não me ter. 

Outro dia me peguei pensando que não queria companhia, não queria dividir o momento que eu queria ter, o lugar que queria ir. E a questão não é dividir, não é ser egoísta de querer algo só pra mim. Mas é que eu passei tanto tempo achando necessária essa divisão, esse compartilhamento, ceder o que é meu e o que sou em busca da felicidade do outro, porque também era a minha, que acabei esquecendo de como era ter tudo isso sem essa obrigação, mesmo que leve e espontânea, de dividir. 

Desconstruir o que eu mesma criei, porque sentia que precisava, é uma busca de mim em mim mesma, por isso o reconhecimento do que é do outro e que tá em mim. Mas eu também preciso lembrar das minhas próprias partes, dos meus extremos conectados por ligações próprias minhas, dos meus sentimentos que geralmente demoram a sair de mim. 

Não ignoro os privilégios que me favorecem, assim como não mais assumo a culpa de não poder abraçar e carregar o mundo. Minhas responsabilidades são só minhas e jamais as desprezarei, porque também me fazem ser.

Minha felicidade, beleza, confiança e inteligência não faz de mim dona das características que os outros também possuem. Ser minha não faz com que eu me castre da dor, muito menos da frustração, porque também não são domadas e me fazem ser quem serei amanhã. 

Por hora, me contento em me encontrar hoje pra me perder amanhã, porque o reencontro comigo sempre é bom, saudável e extremamente necessário. 


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14 maio 2018

Uma declaração de amor para quem já passou por mim

Quando eu estudava em uma escola de freira, achava um máximo a mina punk do ensino médio. O cabelo colorido, a calça boca de sino com a barra virada e presa com clipes de papel. Meu Deus, ela era incrível. Já devo ter comentado por aqui que ela foi o meu primeiro ícone de moda da vida. Desde essa época eu percebi: admiro quem está por perto. Por isso decidi voltar com blog declarando o meu amor por quem já passou (passa ou passará) por mim.

A minha primeira professora de teatro tinha um cabelão cacheado e ruivo (ainda tem, inclusive). Às vezes eu me pegava parada olhando pra beleza daquele cabelo. Admiro a Inês até hoje. E vem dos amigos que fiz e faço no teatro o meu amor e respeito pelas pessoas.

Minha melhor amiga é incrível. Ela quem me levou pro teatro e também é atriz até hoje (mesmo que quisesse, não poderia deixar de ser). Lembro que estávamos brincando de boneca e perguntei como que eram as aulas de teatro. Ela me explicou, mas estar lá ultrapassou o encanto que ela já tinha me feito ter. Isso foi em 2004. É minha melhor amiga até hoje.

Da infância, faço parte de um grupo com mais quatro amigas. É de cada uma delas o meu jeito de cuidar do outro hoje.




Semana passada algumas amigas da época da escola (não a de freira, a que estudei depois) estiveram aqui em SP comigo. E às vezes eu me choco com o quanto somos diferentes e nos entendemos tão bem. É desse tipo de relação que vem minha crença no mundo.


Não estão todos aqui, até porque a intenção não me despir totalmente, faço esse post pra deixar como uma espécie de lembrança (mais uma) pra mim. E pra quem lê, que reconheça em você o que há dos outros - e vice versa, porque também é possível - e admire quem te faz ser.

Pra quem ainda vai passar por mim, já adianto: eu também serei um pouco de ti. 





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25 março 2018

Sobre conhecer a mim mesma


Estar só nunca foi ser solitária. Eu sempre admirei minha companhia nos dias calmos. Agora passei a admirar também no tumulto. 

Aprender a cuidar do espaço que vivo é também aprender a cuidar de mim. Encontrei com uma amiga essa semana e, na mesma fase que eu, conversamos sobre como o espaço físico reflete o interior. E é mesmo. 

É um respeito não só pelo espaço, mas por mim. Principalmente por mim. O cuidar com minha cama, meu chão, preparar meu alimento e deixar a casa com cheiro de café também reflete em um banho bem tomado, uma roupa que me sinto bem, no foco na minha carreira. Passei muito tempo tentando me dividir entre Valéria atriz, Valéria blogueira, Valéria dia-a-dia. Quando, na verdade, tudo é uma coisa só. Assim como o espaço e o meu interior.

Me permitir ir a lugares novos em uma cidade nova. Conhecer pessoas novas. Me desafiar a andar 15 minutos a mais porque eu queria conhecer a rua. É tudo muito diferente, mas extremamente importante pra me tornar quem eu sou, serei. 

Tô nessa fase de desconstrução de alguns medos que não são meus. É bom estar aqui porque eu quero estar aqui. Às vezes parece simples, coisa pequena, mas não é. Principalmente por ser mulher. 

Tenho meus medos, claro. Minhas inseguranças, incertezas. Mas não pensar nisso tem sido fortalecedor. 

Pode ser que daqui a pouco passe, mas ser minha principal companhia tem sido o suficiente. E eu, sendo suficiente pra mim, basta.


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23 janeiro 2018

Vídeo: trecho de 'A Hora da Estrela'

Pra quem tem acompanhado essa história de eu gravar vídeos com textos da Clarice Lispector (e quem já conhece a autora), devia imaginar que não faltaria um trecho de "A Hora da Estrela".



O livro é a última obra da Clarice, e que obra. Sou suspeita pra falar, mas Macabéa é, pra mim, uma das personagens mais encantadoras da autora.


Pra quem nunca leu e tem o interesse de comprar, na Saraiva tem uma edição incrível com manuscritos (eu tenho e é maravilhosa mesmo). 

E unindo o útil ao agradável, o pessoal do Cupom Válido entrou em contato comigo pra eu conhecer o site, então, se quiserem tentar esse desconto, dá uma olhada lá nos descontos da Saraiva e me diz o que rola depois. 

Aliás, diz o que achou do vídeo também né. Tô me organizando pra colocar tudo tanto no canal, quanto na página. Só digo: vamo 2018. 


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20 janeiro 2018

eu sou uma farsa!




Ok, talvez esse título seja forte demais. Mas é como me sinto em relação a mim mesma. Uma farsa.

Um dia eu acordei e quando fui dormir tudo tinha desandado. Sabe aquela semana que nunca devia ter existido? Pois é.

E aí eu me perdi. Eu, que já estava perdida, consegui ir mais longe. E ali, onde ninguém me via, eu também não me enxerguei.

Ansiosa como sou, me desesperei.

Um dia eu disse aqui que era feliz comigo mesma, mas bastou eu estar só pra ver que não, essa felicidade ainda não tá aqui.

E eu, que tanto falo de aceitação, autoestima, confiança e sororidade, não tive nada disso comigo mesma.

E não tem nada pior do que desconfiar de si.

Eu sinto que tô em uma mudança profunda dentro e fora de mim. Tenho lutado contra meus medos, e sempre que me pego pensando na opinião dos outros sobre determinada ação minha, vou lá e ajo propositalmente só pra eu me desconstruir. Mas isso tudo é bem recente.

Como por exemplo: há semanas esse texto tava no meu rascunho, e eu, com medo do que os leitores vão pensar, nunca conseguia terminar.

Ser verdadeira comigo mesma tem sido um processo doloroso e demorado. Resolvi assumir isso pra internet e, sendo mais dura ainda, pra mim. Concluí que, na minha vida virtual, eu sou esse processo. Porque afinal, também sou isso diariamente, na carne. Acho que somos, né?

E a partir de agora, mais do que nunca, vou registrar isso tudo online, porque quero que tudo ao meu redor me represente e relembre dos meus processos. Quem vem comigo? 


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