14 maio 2018

Uma declaração de amor para quem já passou por mim

Quando eu estudava em uma escola de freira, achava um máximo a mina punk do ensino médio. O cabelo colorido, a calça boca de sino com a barra virada e presa com clipes de papel. Meu Deus, ela era incrível. Já devo ter comentado por aqui que ela foi o meu primeiro ícone de moda da vida. Desde essa época eu percebi: admiro quem está por perto. Por isso decidi voltar com blog declarando o meu amor por quem já passou (passa ou passará) por mim.

A minha primeira professora de teatro tinha um cabelão cacheado e ruivo (ainda tem, inclusive). Às vezes eu me pegava parada olhando pra beleza daquele cabelo. Admiro a Inês até hoje. E vem dos amigos que fiz e faço no teatro o meu amor e respeito pelas pessoas.

Minha melhor amiga é incrível. Ela quem me levou pro teatro e também é atriz até hoje (mesmo que quisesse, não poderia deixar de ser). Lembro que estávamos brincando de boneca e perguntei como que eram as aulas de teatro. Ela me explicou, mas estar lá ultrapassou o encanto que ela já tinha me feito ter. Isso foi em 2004. É minha melhor amiga até hoje.

Da infância, faço parte de um grupo com mais quatro amigas. É de cada uma delas o meu jeito de cuidar do outro hoje.




Semana passada algumas amigas da época da escola (não a de freira, a que estudei depois) estiveram aqui em SP comigo. E às vezes eu me choco com o quanto somos diferentes e nos entendemos tão bem. É desse tipo de relação que vem minha crença no mundo.


Não estão todos aqui, até porque a intenção não me despir totalmente, faço esse post pra deixar como uma espécie de lembrança (mais uma) pra mim. E pra quem lê, que reconheça em você o que há dos outros - e vice versa, porque também é possível - e admire quem te faz ser.

Pra quem ainda vai passar por mim, já adianto: eu também serei um pouco de ti. 





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25 março 2018

Sobre conhecer a mim mesma


Estar só nunca foi ser solitária. Eu sempre admirei minha companhia nos dias calmos. Agora passei a admirar também no tumulto. 

Aprender a cuidar do espaço que vivo é também aprender a cuidar de mim. Encontrei com uma amiga essa semana e, na mesma fase que eu, conversamos sobre como o espaço físico reflete o interior. E é mesmo. 

É um respeito não só pelo espaço, mas por mim. Principalmente por mim. O cuidar com minha cama, meu chão, preparar meu alimento e deixar a casa com cheiro de café também reflete em um banho bem tomado, uma roupa que me sinto bem, no foco na minha carreira. Passei muito tempo tentando me dividir entre Valéria atriz, Valéria blogueira, Valéria dia-a-dia. Quando, na verdade, tudo é uma coisa só. Assim como o espaço e o meu interior.

Me permitir ir a lugares novos em uma cidade nova. Conhecer pessoas novas. Me desafiar a andar 15 minutos a mais porque eu queria conhecer a rua. É tudo muito diferente, mas extremamente importante pra me tornar quem eu sou, serei. 

Tô nessa fase de desconstrução de alguns medos que não são meus. É bom estar aqui porque eu quero estar aqui. Às vezes parece simples, coisa pequena, mas não é. Principalmente por ser mulher. 

Tenho meus medos, claro. Minhas inseguranças, incertezas. Mas não pensar nisso tem sido fortalecedor. 

Pode ser que daqui a pouco passe, mas ser minha principal companhia tem sido o suficiente. E eu, sendo suficiente pra mim, basta.


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23 janeiro 2018

Vídeo: trecho de 'A Hora da Estrela'

Pra quem tem acompanhado essa história de eu gravar vídeos com textos da Clarice Lispector (e quem já conhece a autora), devia imaginar que não faltaria um trecho de "A Hora da Estrela".



O livro é a última obra da Clarice, e que obra. Sou suspeita pra falar, mas Macabéa é, pra mim, uma das personagens mais encantadoras da autora.


Pra quem nunca leu e tem o interesse de comprar, na Saraiva tem uma edição incrível com manuscritos (eu tenho e é maravilhosa mesmo). 

E unindo o útil ao agradável, o pessoal do Cupom Válido entrou em contato comigo pra eu conhecer o site, então, se quiserem tentar esse desconto, dá uma olhada lá nos descontos da Saraiva e me diz o que rola depois. 

Aliás, diz o que achou do vídeo também né. Tô me organizando pra colocar tudo tanto no canal, quanto na página. Só digo: vamo 2018. 


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20 janeiro 2018

eu sou uma farsa!




Ok, talvez esse título seja forte demais. Mas é como me sinto em relação a mim mesma. Uma farsa.

Um dia eu acordei e quando fui dormir tudo tinha desandado. Sabe aquela semana que nunca devia ter existido? Pois é.

E aí eu me perdi. Eu, que já estava perdida, consegui ir mais longe. E ali, onde ninguém me via, eu também não me enxerguei.

Ansiosa como sou, me desesperei.

Um dia eu disse aqui que era feliz comigo mesma, mas bastou eu estar só pra ver que não, essa felicidade ainda não tá aqui.

E eu, que tanto falo de aceitação, autoestima, confiança e sororidade, não tive nada disso comigo mesma.

E não tem nada pior do que desconfiar de si.

Eu sinto que tô em uma mudança profunda dentro e fora de mim. Tenho lutado contra meus medos, e sempre que me pego pensando na opinião dos outros sobre determinada ação minha, vou lá e ajo propositalmente só pra eu me desconstruir. Mas isso tudo é bem recente.

Como por exemplo: há semanas esse texto tava no meu rascunho, e eu, com medo do que os leitores vão pensar, nunca conseguia terminar.

Ser verdadeira comigo mesma tem sido um processo doloroso e demorado. Resolvi assumir isso pra internet e, sendo mais dura ainda, pra mim. Concluí que, na minha vida virtual, eu sou esse processo. Porque afinal, também sou isso diariamente, na carne. Acho que somos, né?

E a partir de agora, mais do que nunca, vou registrar isso tudo online, porque quero que tudo ao meu redor me represente e relembre dos meus processos. Quem vem comigo? 


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29 novembro 2017

Amazônia Fashion Week: Dia 1

Mais um ano de Amazônia Fashion Week. Foram três dias de desfiles. Música ao vivo, exposição e bate-papo sobre moda, e às vezes a gente nem espera tanta informação. Ainda bem que esse ano não teve só gorda na passarela, mas também teve modelo com nanismo, cadeirante, travesti e as mulheres comandaram a coisa toda. 

Foi a 11ª edição do evento e, em comparação ao ano passado, senti uns degraus avançados na desconstrução desde o primeiro dia, na abertura que rolou no Museu do Estado do Pará.










Distribuída pelas salas do Museu, cheia de cores e tecidos, dando vida e exercitando nosso imaginário, estava a exposição que homenageou a estilista paraense (que é também um pouco carioca), Paula Novellino. Todas roupas de festas e até vestidos de noivas, aliadas às salas do prédio histórico e com móveis de época, fizeram com que eu, criadora de histórias como sou, sentisse vontade de ficar lá imaginando diálogos e ações.




Paula Novellino já ganhou prêmios e é reconhecida nacionalmente. Já fez trabalhos para figurinos de novelas, assim como tem diversos prêmios de Rainhas do Carnaval, que acontece tradicionalmente aqui em Belém. Além das confecções de vestidos de noivas e de festa, em 2006 confeccionou o manto de Nossa Senhora de Nazaré para a procissão do Círio.









Além da exposição, o dia da abertura do AFW também teve dois desfiles, um de roupas de festa e outros de acessórios, além do show do guitarrista Lucas Estrela.

Desfiles

Kathia Novellino Monteiro de Castro






Lucas Estrela


Jóias Barbara Müller






A música do desfile da Barbara ficou por conta da maravilhosa Nanna Reis. A coleção, chamada Matinta, foi inspirada em mulheres fortes, com um toque de misticismo e feitiçaria. Sem dúvida, fiquei encantada. 


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03 novembro 2017

Vídeos: crônicas da Clarice Lispector

Eu tô me organizando aqui com essa história de vídeos. Quero ir além dos vídeos que tenho feito com textos da Clarice, sabe? 
Falar um pouco sobre a minha relação com a moda, sobre o teatro, etc. 

Como parte dessa organização e pra quem ainda não me acompanha no canal, resolvi postar aqui os últimos vídeos que apareceram por lá. Os textos são todos do mesmo livro da Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo (e meu livro favorita da vida).


Por medo do desconhecido


Condição Humana



Sem Aviso



Aproveita pra te inscrever lá no canal e me ajuda divulgando e com ideias pra novos vídeos! <3

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01 novembro 2017

8 coisas que eu aprendi em 8 meses sem comprar

Começo com: pra não falar que não comprei nadica nesse período, comprei um macacão, um vestido que me arrependi, porque até hoje não usei, e um sapato. 

Quero dizer também que não foi proposital comprar menos, só aconteceu. E que bom. 

Um pouco antes de participar falando sobre consumo consciente no instagram do projeto da Natália Paixão, o @projetojennarink (que aliás merece um post só sobre ele), me dei conta que eu não comprava há vários meses.

Eu tava esperando completar um ano sem comprar pra fazer o post, mas minha ansiedade bateu e quis logo escrever (e aproveitar também que eu tô me dedicando ao blog ~nunca se sabe o que pode acontecer até lá~). 

A última vez que saí de casa pra comprar roupas foi em março, antes e durante a viagem que fiz pra SP e Rio (conto uma das experiências aqui ~e, modesta parte, é um dos meus posts favoritos da vida~). Comprei mais coisas em Búzios, mas ainda assim economizei e voltei pra Belém com dinheiro que eu tinha reservado pra gastar lá. 

Quando me dei conta desse tempo todo que eu tava sem comprar, resolvi fazer essa lista sobre a minha experiência e um pouco sobre o que aprendi comigo mesma

1- Comprar o essencial melhorou minha autoestima


imagem: http://prosadecora.tumblr.com/            

Parando pra pensar agora, eu consigo perceber exatamente quando isso tudo começou. 

Eu tive uma mudança brusca na minha vida e precisava, de alguma forma, me renovar. Foi quando separei muitas e muitas peças que não faziam mais sentido pra mim e doei. Um ano antes da viagem, fiz umas compras com a seguinte questão na cabeça: só vou comprar o que eu realmente experimentar, olhar no espelho e falar: tô gata pra dedéu - mais pensando na minha autoestima que no consumo em si. 

Super funcionou: além da empolgação de usar as roupas quando elas eram novas, o fato de eu ter comprado a roupa porque rolou toda uma análise minha dentro dela - demoro mais no provador hoje em dia - ajudou a eu me sentir mais bonita e, consequentemente, mais segura

2- Nem tudo o que eu tinha, eu queria ter




Eu tinha o costume de comprar algumas coisas só porque simplesmente me serviam, a calça vestia bem ~o que não é comum porque sou magra demais~ ou por causa do preço em conta (principalmente compras no brechó, era um perigo!), e acabava usando porque já tinha comprado, mas, na real, não tava me sentindo tão incrível assim não. 


3- As roupas contam histórias




Quando separei as peças pra doar, elas predominantemente não eram doadas porque não me serviam mais fisicamente, mas porque muitas delas me contavam histórias que, ou eu não queria mais lembrar, ou tinha a plena consciência de que tudo bem encerrar aquele ciclo com ela. 

Assim como eu viajo com as peças de brechó que uso, imaginando a história de quem as vestiu, por onde elas passaram, e etc, o que me veste também me narra

4- Eu preciso/quero/vou usar isso? 


A partir do momento que passei a comprar as peças que me faziam eu me sentir mais bonita e ter percebido as peças desnecessárias pra mim,  passei a me perguntar sempre: "eu preciso/quero/vou usar isso?".  E sem perceber, tava consumindo bem menos e, consequentemente, gastando menos e usando muito mais as minhas roupas.

5- As minhas peças todas atualmente cabem na minha gaveta 




Não faço ideia de quantas roupas eu tenho hoje em dia, mas, como falei, uso todas - algumas mais e outras menos - e são mais fáceis de guardar. 

6 - Apesar disso tudo, eu ainda vou comprar errado  


As peças que comprei nesse período, de março até hoje, tirando o vestido, foram peças pensadas

O macacão porque eu achei lindo ~claro~ e é ótimo pra usar em Belém ~leve, livre e solto~.


O sapato eu comprei em Fortaleza, de couro, por um preço bom, e eu tinha acabado de ler uma matéria falando sobre do consumo consciente de peças em couro (questão polêmica mas que vale a discussão mais pra frente). 


E o vestido - que não tenho foto - eu comprei errado. Ele serviu, e só. Ele é bonito e eu gostei, mas é mais formalzinho, nem tenho onde usar. Mas não me culpo também, assim como eu comprar menos foi algo natural, também é natural que eu compre errado algumas vezes

7- Eu consigo entender melhor o meu estilo 




Atualmente eu tenho uma noção maior do que realmente me agrada. Sei das estampas que possivelmente vou gostar, o estilo de blusa que eu prefiro no meu corpo, e as calças que mais gosto de usar. 

Pode parecer algo simples, mas pra mim não era. Ainda mais eu, que nunca fui de usar tendências por querer estar up, sabe? Sempre fui de usar coisas que eu me identificasse de alguma forma ~mesmo que da forma errada~. 


8- Como eu sou mais leve! 




Essa segurança toda de me conhecer melhor por meio das minhas roupas me ajuda super com a minha autoestima. Assim eu sei o que vestir nos dias que não tô muito bem com o espelho e quero me achar gata. 

Sei também, de uma forma mais fácil, quais peças combinam com outras, mesmo sem nunca ter usado elas juntas. Consigo saber também qual peça tô usando menos e, ou deveria usar mais, ou eu preciso descartar. 

Só leveza!

Não, não sigo as regras do armário cápsula. Não tenho um número de peças pra seguir. Pode até ser, e eu espero que não, que num dia que esteja com dinheiro, eu resolva fazer a louca no shopping, comércio ou brechó haha.  

Não acho provável, já que tô seguindo o que me faz bem atualmente

O consumo consciente tá sendo muito mais discutido, tem uma galerona, por exemplo, que tem um armário cápsula e pode inspirar a gente. Aproveito a deixa pra indicar o instagram da Amanda Campelo, @mckaoma, essa paraense gata que tem o Projeto 47 e outras vertentes que saíram dele. 

E se eu chegar em um ano sem comprar, volto aqui pra gente conversar de novo, que tal? 

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30 outubro 2017

A gente precisa se pôr no lugar do outro

Gentileza gera gentileza

               imagem: http://songsthatinspireme.tumblr.com/              

estar no lugar do outro descomplica

Minha mãe nunca gostou de chamar ninguém por apelidos. Não importa se a pessoa sabe ou não que é chamada assim. Uma vez, e eu lembro como se fosse hoje, falando de algum colega da escola, me referi a ele pelo apelido. Minha mãe me chamou a atenção e disse "não importa se a pessoa sabe ou não que a chamam assim, você nunca vai saber se ela realmente gosta". Imediatamente me pus no lugar do outro e lembrei dos vários apelidos que eu fingia gostar porque sabia que se fechasse a cara seria pior. 

A partir daí, na maioria das situações ~porque também estou em desenvolvimento~, me ponho do lugar do outro. A gente nunca sabe o que tem por trás.

Sei que a gente tem pressão demais no dia a dia e que nem todos os dias estamos dispostos a ser bem receptivos (e olha que nem tô falando de polêmicas das redes sociais). Mas vivemos em sociedade e ninguém tem culpa das nossas dores, sejam elas quais forem.

Quando a gente pára pra pensar, não é tão difícil assim, sabe? É entender que o mundo é bem maior que o nosso próprio, e que cada pessoa, assim como eu, você e aquele outro, tem o próprio mundo também, com semelhanças e divergências dos nossos.

É um exercício diário e a paciência é uma grande aliada. Mas pra mim, com isso, o mundo fica menos egoísta e mais solidário. É viver (com)paixão pela história do outro, mesmo sem conhecer. E, sem dúvida, isso é preciso.


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