29 novembro 2017

Amazônia Fashion Week: Dia 1

Mais um ano de Amazônia Fashion Week. Foram três dias de desfiles. Música ao vivo, exposição e bate-papo sobre moda, e às vezes a gente nem espera tanta informação. Ainda bem que esse ano não teve só gorda na passarela, mas também teve modelo com nanismo, cadeirante, travesti e as mulheres comandaram a coisa toda. 

Foi a 11ª edição do evento e, em comparação ao ano passado, senti uns degraus avançados na desconstrução desde o primeiro dia, na abertura que rolou no Museu do Estado do Pará.










Distribuída pelas salas do Museu, cheia de cores e tecidos, dando vida e exercitando nosso imaginário, estava a exposição que homenageou a estilista paraense (que é também um pouco carioca), Paula Novellino. Todas roupas de festas e até vestidos de noivas, aliadas às salas do prédio histórico e com móveis de época, fizeram com que eu, criadora de histórias como sou, sentisse vontade de ficar lá imaginando diálogos e ações.




Paula Novellino já ganhou prêmios e é reconhecida nacionalmente. Já fez trabalhos para figurinos de novelas, assim como tem diversos prêmios de Rainhas do Carnaval, que acontece tradicionalmente aqui em Belém. Além das confecções de vestidos de noivas e de festa, em 2006 confeccionou o manto de Nossa Senhora de Nazaré para a procissão do Círio.









Além da exposição, o dia da abertura do AFW também teve dois desfiles, um de roupas de festa e outros de acessórios, além do show do guitarrista Lucas Estrela.

Desfiles

Kathia Novellino Monteiro de Castro






Lucas Estrela


Jóias Barbara Müller






A música do desfile da Barbara ficou por conta da maravilhosa Nanna Reis. A coleção, chamada Matinta, foi inspirada em mulheres fortes, com um toque de misticismo e feitiçaria. Sem dúvida, fiquei encantada. 


Share:

03 novembro 2017

Vídeos: crônicas da Clarice Lispector

Eu tô me organizando aqui com essa história de vídeos. Quero ir além dos vídeos que tenho feito com textos da Clarice, sabe? 
Falar um pouco sobre a minha relação com a moda, sobre o teatro, etc. 

Como parte dessa organização e pra quem ainda não me acompanha no canal, resolvi postar aqui os últimos vídeos que apareceram por lá. Os textos são todos do mesmo livro da Clarice Lispector: A Descoberta do Mundo (e meu livro favorita da vida).


Por medo do desconhecido


Condição Humana



Sem Aviso



Aproveita pra te inscrever lá no canal e me ajuda divulgando e com ideias pra novos vídeos! <3

Share:

01 novembro 2017

8 coisas que eu aprendi em 8 meses sem comprar

Começo com: pra não falar que não comprei nadica nesse período, comprei um macacão, um vestido que me arrependi, porque até hoje não usei, e um sapato. 

Quero dizer também que não foi proposital comprar menos, só aconteceu. E que bom. 

Um pouco antes de participar falando sobre consumo consciente no instagram do projeto da Natália Paixão, o @projetojennarink (que aliás merece um post só sobre ele), me dei conta que eu não comprava há vários meses.

Eu tava esperando completar um ano sem comprar pra fazer o post, mas minha ansiedade bateu e quis logo escrever (e aproveitar também que eu tô me dedicando ao blog ~nunca se sabe o que pode acontecer até lá~). 

A última vez que saí de casa pra comprar roupas foi em março, antes e durante a viagem que fiz pra SP e Rio (conto uma das experiências aqui ~e, modesta parte, é um dos meus posts favoritos da vida~). Comprei mais coisas em Búzios, mas ainda assim economizei e voltei pra Belém com dinheiro que eu tinha reservado pra gastar lá. 

Quando me dei conta desse tempo todo que eu tava sem comprar, resolvi fazer essa lista sobre a minha experiência e um pouco sobre o que aprendi comigo mesma

1- Comprar o essencial melhorou minha autoestima


imagem: http://prosadecora.tumblr.com/            

Parando pra pensar agora, eu consigo perceber exatamente quando isso tudo começou. 

Eu tive uma mudança brusca na minha vida e precisava, de alguma forma, me renovar. Foi quando separei muitas e muitas peças que não faziam mais sentido pra mim e doei. Um ano antes da viagem, fiz umas compras com a seguinte questão na cabeça: só vou comprar o que eu realmente experimentar, olhar no espelho e falar: tô gata pra dedéu - mais pensando na minha autoestima que no consumo em si. 

Super funcionou: além da empolgação de usar as roupas quando elas eram novas, o fato de eu ter comprado a roupa porque rolou toda uma análise minha dentro dela - demoro mais no provador hoje em dia - ajudou a eu me sentir mais bonita e, consequentemente, mais segura

2- Nem tudo o que eu tinha, eu queria ter




Eu tinha o costume de comprar algumas coisas só porque simplesmente me serviam, a calça vestia bem ~o que não é comum porque sou magra demais~ ou por causa do preço em conta (principalmente compras no brechó, era um perigo!), e acabava usando porque já tinha comprado, mas, na real, não tava me sentindo tão incrível assim não. 


3- As roupas contam histórias




Quando separei as peças pra doar, elas predominantemente não eram doadas porque não me serviam mais fisicamente, mas porque muitas delas me contavam histórias que, ou eu não queria mais lembrar, ou tinha a plena consciência de que tudo bem encerrar aquele ciclo com ela. 

Assim como eu viajo com as peças de brechó que uso, imaginando a história de quem as vestiu, por onde elas passaram, e etc, o que me veste também me narra

4- Eu preciso/quero/vou usar isso? 


A partir do momento que passei a comprar as peças que me faziam eu me sentir mais bonita e ter percebido as peças desnecessárias pra mim,  passei a me perguntar sempre: "eu preciso/quero/vou usar isso?".  E sem perceber, tava consumindo bem menos e, consequentemente, gastando menos e usando muito mais as minhas roupas.

5- As minhas peças todas atualmente cabem na minha gaveta 




Não faço ideia de quantas roupas eu tenho hoje em dia, mas, como falei, uso todas - algumas mais e outras menos - e são mais fáceis de guardar. 

6 - Apesar disso tudo, eu ainda vou comprar errado  


As peças que comprei nesse período, de março até hoje, tirando o vestido, foram peças pensadas

O macacão porque eu achei lindo ~claro~ e é ótimo pra usar em Belém ~leve, livre e solto~.


O sapato eu comprei em Fortaleza, de couro, por um preço bom, e eu tinha acabado de ler uma matéria falando sobre do consumo consciente de peças em couro (questão polêmica mas que vale a discussão mais pra frente). 


E o vestido - que não tenho foto - eu comprei errado. Ele serviu, e só. Ele é bonito e eu gostei, mas é mais formalzinho, nem tenho onde usar. Mas não me culpo também, assim como eu comprar menos foi algo natural, também é natural que eu compre errado algumas vezes

7- Eu consigo entender melhor o meu estilo 




Atualmente eu tenho uma noção maior do que realmente me agrada. Sei das estampas que possivelmente vou gostar, o estilo de blusa que eu prefiro no meu corpo, e as calças que mais gosto de usar. 

Pode parecer algo simples, mas pra mim não era. Ainda mais eu, que nunca fui de usar tendências por querer estar up, sabe? Sempre fui de usar coisas que eu me identificasse de alguma forma ~mesmo que da forma errada~. 


8- Como eu sou mais leve! 




Essa segurança toda de me conhecer melhor por meio das minhas roupas me ajuda super com a minha autoestima. Assim eu sei o que vestir nos dias que não tô muito bem com o espelho e quero me achar gata. 

Sei também, de uma forma mais fácil, quais peças combinam com outras, mesmo sem nunca ter usado elas juntas. Consigo saber também qual peça tô usando menos e, ou deveria usar mais, ou eu preciso descartar. 

Só leveza!

Não, não sigo as regras do armário cápsula. Não tenho um número de peças pra seguir. Pode até ser, e eu espero que não, que num dia que esteja com dinheiro, eu resolva fazer a louca no shopping, comércio ou brechó haha.  

Não acho provável, já que tô seguindo o que me faz bem atualmente

O consumo consciente tá sendo muito mais discutido, tem uma galerona, por exemplo, que tem um armário cápsula e pode inspirar a gente. Aproveito a deixa pra indicar o instagram da Amanda Campelo, @mckaoma, essa paraense gata que tem o Projeto 47 e outras vertentes que saíram dele. 

E se eu chegar em um ano sem comprar, volto aqui pra gente conversar de novo, que tal? 

Share:

30 outubro 2017

A gente precisa se pôr no lugar do outro

Gentileza gera gentileza

               imagem: http://songsthatinspireme.tumblr.com/              

estar no lugar do outro descomplica

Minha mãe nunca gostou de chamar ninguém por apelidos. Não importa se a pessoa sabe ou não que é chamada assim. Uma vez, e eu lembro como se fosse hoje, falando de algum colega da escola, me referi a ele pelo apelido. Minha mãe me chamou a atenção e disse "não importa se a pessoa sabe ou não que a chamam assim, você nunca vai saber se ela realmente gosta". Imediatamente me pus no lugar do outro e lembrei dos vários apelidos que eu fingia gostar porque sabia que se fechasse a cara seria pior. 

A partir daí, na maioria das situações ~porque também estou em desenvolvimento~, me ponho do lugar do outro. A gente nunca sabe o que tem por trás.

Sei que a gente tem pressão demais no dia a dia e que nem todos os dias estamos dispostos a ser bem receptivos (e olha que nem tô falando de polêmicas das redes sociais). Mas vivemos em sociedade e ninguém tem culpa das nossas dores, sejam elas quais forem.

Quando a gente pára pra pensar, não é tão difícil assim, sabe? É entender que o mundo é bem maior que o nosso próprio, e que cada pessoa, assim como eu, você e aquele outro, tem o próprio mundo também, com semelhanças e divergências dos nossos.

É um exercício diário e a paciência é uma grande aliada. Mas pra mim, com isso, o mundo fica menos egoísta e mais solidário. É viver (com)paixão pela história do outro, mesmo sem conhecer. E, sem dúvida, isso é preciso.


Share:

27 outubro 2017

De volta aos looks!

Eu quero voltar ao blog. Eu sei que a maioria das pessoas não lê mais tanto texto e os looks bombam muito mais no instagram. Acontece que eu sempre gostei muito de escrever, e de escrever aqui mais ainda. Também tô tentando otimizar as coisas, unir, convergir as várias Valérias que ao mesmo tempo é só uma. Entendem? 


Escolhi esse look pra voltar com os looks porque a Valéria de um tempinho atrás não usaria. A blusa curta, essa calça, o chinelin e esse cabelão cheio e solto. Eu iria parar pra pensar e avaliar as possíveis impressões alheias e, com certeza, enfiaria de volta na gaveta.  


Tudo bem a confiança não estar ok todos os dias da nossa vida, mas a gente precisa exercitar o fato de que quem precisa realmente gostar das roupas somos nós mesmos, né?  


A blusa já apareceu aqui, a calça eu encontrei há um bom tempo na arara de liquidação da C&A e o chinelinho eu comprei numa das edições do BZR, é do Sapatos Hoop (já apareceu melhor várias vezes no meu instagram @valeriaslima_).

Blusa: de Fortaleza R$ 35
Calça: C&A R$ 50
Chinelo: Sapatos Hoop, não lembro o valor, mas foi entre R$ 30 e R$ 50
Total do Look: entre R$ 115 e R$ 135


Share:

18 setembro 2017

Eu preciso aprender comigo




Eu tinha acabado de fazer 18 anos. Era 2010 e minha melhor amiga ainda morava aqui. 
Eu fui aos meus shows preferidos.
Foi o ano que fiz, pela primeira vez, dois espetáculos ao mesmo tempo. 
E, pela primeira vez também, participei de uma avaliação como atriz. 
Passei.
Era pra uma performance de rua e eu precisava saber andar de perna de pau.
Aprendi em uma semana porque era o tempo que eu tinha. 
Claro que caí e ralei o joelho nesses dias. Mas depois eu fiquei fera. 
O único medo que eu tinha era de não ser feliz. 
E tava mergulhada de cabeça no meu querer. 
No fim do ano joguei tudo pro beleléu e mudei. 

Sempre que eu tô aqui, com a cabeça borbulhando, eu lembro de 2010. 
E da coragem que um dia eu tive.

Às vezes eu sinto que ela tá aqui no meu peito, adormecida, e só de vez em quando se solta.

Aí eu olho pro céu, lembro de Cazuza cantando que a vida não tem tamanho, respiro, e sigo. 

Tá tudo bem sim, eu só preciso aprender comigo.


Share:

15 setembro 2017

Vídeo: A Surpresa - Clarice Lispector

Mostrei aqui os vídeos que tinha feito com uns textos da Clarice e postado no meu perfil pessoal. Pois bem, eis que para a minha surpresa, uma conhecida postou um deles em um grupo sobre o canal do youtube que fala sobre o arte (o Vivieuvi) e tcharan: o vídeo bombou. 

Hoje tem mais de 100 mil visualizações no meu perfil, várias pessoas maravilhosas vindo falar comigo e eu tô só alegria. 

Às vezes o gatilho é simples: ser eu. Eu esqueço de como é bom e possível. 

E inspirada por essas pessoas incríveis que têm feito meus dias muito felizes há algumas semanas e me mostrando, mesmo sem saber, que sou capaz, fiz mais vídeos e vou fazer muito mais. 

Eu tô aqui, me organizando pra conseguir dar conta e entender tudin o que vocês querem e, acima de tudo, o que eu quero com o Tipo Assim. Enquanto isso, vamos ver um dos vídeos novos?


<3
Share:

26 agosto 2017

Quando o meu corpo é só meu

Eu tô passando por um processo de aceitação grande, longo e doloroso. Há dias que o espelho é o meu melhor amigo, há dias que nem tanto. 

Há coisas em mim hoje que antes eu não sentia: o meu pertencimento. O meu corpo é meu e com ele eu faço o que eu quiser, quando quiser, aonde quiser. É meio óbvio, mas por muito tempo não foi. 


Teve um dia em que eu tirei minha roupa e me abracei. De verdade. Eu pus os braços entrelaçados em mim. Me acariciei e entendi: essa sou eu. E agradeci. 

O processo, contínuo e diário, começou nesse dia. 

Eu entendi que essas são as minhas pernas e esses são os meus braços. Esse é o meu cabelo. O meu nariz. Os meus seios. Os meus joelhos. Meus pés. E isso tudo me foi dado pela energia que rege o mundo, as situações, os encontros. 

Eu entendi e aceitei que é com esse corpo que eu transito entre os lugares, com esses dedos que digito esse texto. É esse corpo que me dá prazer e está disponível pra quem eu quero que tenha prazer com ele também. 

Esse ano passei por um processo no teatro onde eu precisei tirar a roupa. Já havia acontecido antes, mas de uma forma tão tumultuada que não me foi libertador. Diferente de agora. E esse processo teatral também tá aqui, atrelado na minha aceitação, no entendimento do meu eu. 



Claro, são dias e dias. Mas ter consciência de estar na mudança, na compreensão de mim, alivia as olhadas no espelho quando eu não me quero. 

Mas me encontrar, acima de tudo, nos dias em que eu me quero - que tem aumentado cada vez mais - é quando eu mais sinto que me respeito. É isso. Respeito. 

Respeitar o meu corpo e minha imagem, explorar minhas queridas partes, acreditar que minha beleza não está acima, e nem principalmente abaixo de nenhuma outra, colabora com as minhas vivências. 

E, novamente, eu me construo e me sou.
Share: