18 setembro 2017

Eu preciso aprender comigo




Eu tinha acabado de fazer 18 anos. Era 2010 e minha melhor amiga ainda morava aqui. 
Eu fui aos meus shows preferidos.
Foi o ano que fiz, pela primeira vez, dois espetáculos ao mesmo tempo. 
E, pela primeira vez também, participei de uma avaliação como atriz. 
Passei.
Era pra uma performance de rua e eu precisava saber andar de perna de pau.
Aprendi em uma semana porque era o tempo que eu tinha. 
Claro que caí e ralei o joelho nesses dias. Mas depois eu fiquei fera. 
O único medo que eu tinha era de não ser feliz. 
E tava mergulhada de cabeça no meu querer. 
No fim do ano joguei tudo pro beleléu e mudei. 

Sempre que eu tô aqui, com a cabeça borbulhando, eu lembro de 2010. 
E da coragem que um dia eu tive.

Às vezes eu sinto que ela tá aqui no meu peito, adormecida, e só de vez em quando se solta.

Aí eu olho pro céu, lembro de Cazuza cantando que a vida não tem tamanho, respiro, e sigo. 

Tá tudo bem sim, eu só preciso aprender comigo.


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15 setembro 2017

Vídeo: A Surpresa - Clarice Lispector

Mostrei aqui os vídeos que tinha feito com uns textos da Clarice e postado no meu perfil pessoal. Pois bem, eis que para a minha surpresa, uma conhecida postou um deles em um grupo sobre o canal do youtube que fala sobre o arte (o Vivieuvi) e tcharan: o vídeo bombou. 

Hoje tem mais de 100 mil visualizações no meu perfil, várias pessoas maravilhosas vindo falar comigo e eu tô só alegria. 

Às vezes o gatilho é simples: ser eu. Eu esqueço de como é bom e possível. 

E inspirada por essas pessoas incríveis que têm feito meus dias muito felizes há algumas semanas e me mostrando, mesmo sem saber, que sou capaz, fiz mais vídeos e vou fazer muito mais. 

Eu tô aqui, me organizando pra conseguir dar conta e entender tudin o que vocês querem e, acima de tudo, o que eu quero com o Tipo Assim. Enquanto isso, vamos ver um dos vídeos novos?


<3
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26 agosto 2017

Quando o meu corpo é só meu

Eu tô passando por um processo de aceitação grande, longo e doloroso. Há dias que o espelho é o meu melhor amigo, há dias que nem tanto. 

Há coisas em mim hoje que antes eu não sentia: o meu pertencimento. O meu corpo é meu e com ele eu faço o que eu quiser, quando quiser, aonde quiser. É meio óbvio, mas por muito tempo não foi. 


Teve um dia em que eu tirei minha roupa e me abracei. De verdade. Eu pus os braços entrelaçados em mim. Me acariciei e entendi: essa sou eu. E agradeci. 

O processo, contínuo e diário, começou nesse dia. 

Eu entendi que essas são as minhas pernas e esses são os meus braços. Esse é o meu cabelo. O meu nariz. Os meus seios. Os meus joelhos. Meus pés. E isso tudo me foi dado pela energia que rege o mundo, as situações, os encontros. 

Eu entendi e aceitei que é com esse corpo que eu transito entre os lugares, com esses dedos que digito esse texto. É esse corpo que me dá prazer e está disponível pra quem eu quero que tenha prazer com ele também. 

Esse ano passei por um processo no teatro onde eu precisei tirar a roupa. Já havia acontecido antes, mas de uma forma tão tumultuada que não me foi libertador. Diferente de agora. E esse processo teatral também tá aqui, atrelado na minha aceitação, no entendimento do meu eu. 



Claro, são dias e dias. Mas ter consciência de estar na mudança, na compreensão de mim, alivia as olhadas no espelho quando eu não me quero. 

Mas me encontrar, acima de tudo, nos dias em que eu me quero - que tem aumentado cada vez mais - é quando eu mais sinto que me respeito. É isso. Respeito. 

Respeitar o meu corpo e minha imagem, explorar minhas queridas partes, acreditar que minha beleza não está acima, e nem principalmente abaixo de nenhuma outra, colabora com as minhas vivências. 

E, novamente, eu me construo e me sou.
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10 julho 2017

7 atitudes que me ajudam a escapar da ansiedade:

Depois de escrever o texto sobre ansiedade, várias pessoas vieram falar comigo pra dizer que também se sentem ou já se sentiram igual. Com algumas eu conversei mais sobre o assunto, falamos um pouco sobre o que eu fazia pra relaxar mais e ouvi várias dicas delas também. 

Com isso tudo, eu pensei em listar aqui algumas das atitudes que me ajudam a escapar da ansiedade e me fazem respirar melhor. Não é nada de indicação médica, são coisas que ou eu li como sugestão na internet e senti que funcionou, outras coisas que amigxs me indicaram, e outras que descobri comigo mesma. 

1- Meditar

A primeira coisa que faço pela manhã é a meditação. Às vezes eu coloco uma lista no spotify com músicas para meditação, às vezes eu faço uma meditação guiada pelo youtube mesmo, outros dias medito sozinha, sem som, sem voz, só me concentrando na respiração. É uma forma de me encontrar comigo mesma. 
Essa semana tenho feito essa aqui, que vou tentar seguir os 21 dias: 



2- Tomar banho 

Um banho sempre nos revigora, né? Na maioria das vezes, quando tô com um turbilhão de coisas na cabeça, no meio do dia, eu paro tudo o que tô fazendo e vou tomar um banho. Às vezes com música, às vezes sem. Mas sempre me foco no banho, sabe? Evito ao máximo pensar nas coisas que me incomodam, ou nas coisas que tenho pra fazer

3- Vestir as roupas preferidas



A crise sempre mexe com a minha autoestima. Às vezes fico dias sem me olhar direito no espelho. Mas sempre que percebo isso (porque às vezes acontece de eu não perceber e só uns cinco dias depois eu lembro 'nunca mais me olhei no espelho!') eu vou em busca das minhas roupas preferidas, porque aí eu faço questão de olhar e, consequentemente, me sentir bem comigo mesma.

4- Ler os textos 'Calma, tá tudo bem!' e 'Onde está a calmaria?'



Eu sabia que esses textos me ajudaria futuramente (hehe). É claro que talvez eles não ajudem tanto você quanto a mim (principalmente o da calmaria), mas eu acredito que se você, num momento de calma, puder escrever algo pra você mesma, seja afirmando que está tudo bem ou mostrando suas próprias conquistas, no meio da crise, lhe ler com certeza vai lhe fazer bem. 

5- Celular no silencioso

Há muito tempo não ouço o toque do meu celular (portanto, se você me ligou e eu não atendi, foi mal, tô controlando a ansiedade). O barulho do whatsapp me deixava enlouquecida. Desde que passei uns dias sem celular, eu percebi que realmente o celular tava atrapalhando a minha vida. Parece besteira, mas não é. Claro que existem pessoas que não podem ficar com o celular no silencioso o dia inteiro, mas tirar pelo menos uma horinha pra isso já faz diferença. 

6- Não criar expectativas

Calma, não tô falando que esqueci todos os sonhos, cancelei os jantares com as amigas, muito menos rompi com o boy. É que às vezes a cabecinha de um ser ansioso pensa muito no futuro e esquece do agora. É só o exercício de tentar viver o agora. Se eu tô ouvindo música, eu ouço a música. Se eu tô dando um rolê com o cachorro, eu tô lá, atenta pra juntar a caquinha ou pra ele não atacar nenhum ciclista. Sabe? Viver o agora às vezes parece ser difícil ~ pra mim é uma das coisas mais difíceis ~ mas eu sinto a diferença que faz. 

7- Listar as tarefas

Essa é uma das coisas que faço há mais de um ano. Primeiro porque é importante mesmo se organizar com os compromissos, pra não se comprometer errado ou não ficar atarefada demais. Segundo, porque a melhor sensação pra mim, no meio da crise, é quando eu risco algo da lista por já ter cumprido. Por menor que seja, pode ser até a tarefa que você é obrigada a fazer todos os dias, riscar lá que você fez, que já tá ok, cumpriu, é muito super satisfatório.  

Então, essas foram algumas coisas que descobri que me ajudam. Mas, claro, obviamente, procurar uma ajuda profissional é o mais importante!

E vocês? O que fazem pra controlar essa cabecinha? :) 

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07 julho 2017

Sobre o vai e vem da autoestima


Hoje eu senti o vento nos cabelos. Eu caminhava na rua e sentia os cabelos indo e vindo. Geralmente, meus cabelos me incomodavam. Usei ele curtinho por anos e agora que estão maiores eu costumo prendê-los. Mas dessa vez resolvi soltar. 

Eu parei um segundo antes de atravessar a rua, o vento bateu e eles voaram. Foi nesse segundo que meu coração gritou: tá tudo bem. 

Eu não me importei com o que as pessoas estavam achando dele. No geral, eu saio preocupada com o volume, com o frizz, com o lado que ele fica melhor. Mas dessa vez não. 

Só quando cheguei em casa fui ver o quanto volumoso ele tava, o quanto sou muito magra e tenho uma quantidade de cabelo desproporcional pro meu corpo, o quanto seria melhor se ele estivesse preso. E isso tudo eu pensei enquanto me olhava no espelho. 

Em semana de crise, eu evito espelhos. Só olho mesmo pra não borrar o pouco de maquiagem, isso quando resolvo usar. Costumo postar fotos antigas, porque as de agora eu não me sinto bem. 

Que besteira, né? Eu pensei. Essa cobrança de estar sempre bonita é realmente mais importante do que a sensação de sentir que tá tudo bem? Não deve ser.

A minha função nos próximos dias é: eu preciso me sentir. 

Eu acredito que me sentindo bem, sem me cobrar mais nada além disso, vai fazer com que tudo reverbere positivamente. Assim espero. 

Enquanto isso, vou trabalhando diariamente, hora após hora, o bem estar com o meu corpo, meu cabelo, minha alma. Isso vale também. Essa foto é até atual. 

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06 julho 2017

Vídeo: eu e Clarice

Sabe quando você tem muita vontade de fazer algo, mas sempre deixa pra depois, e depois, e depois, e esse depois nunca acaba? Pois é. Há um tempo resolvi riscar uma coisas da minha lista de 'coisas que eu quero fazer', e uma delas foi um vídeo com um texto da Clarice Lispector. 

Só que depois de um, quis fazer mais um, e mais um, e ainda farei outros. Hoje resolvi compartilhar aqui com vocês os que eu já fiz.

Já falei da Clarice aqui, e os textos são todos do meu livro preferido dela "A Descoberta do Mundo", que reúne crônicas que ela fazia pro Jornal do Brasil entre 1967 e 1973.

Assim como eu, espero que gostem.

Do modo como não se quer a bondade

Bolinhas

A Busca do Outro



Esses primeiros eu postei no meu perfil pessoal do facebook, mas a intenção é postar os próximos lá na fanpage do Tipo Assim, portanto, dá uma curtida lá pra acompanhar! 

Comenta aí o que achou e dá uma dica pros próximos ;) 

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04 julho 2017

Saúde Mental: Sobre estar no meio do furacão

Eu preciso falar sobre saúde mental.

A primeira crise de ansiedade que eu tive foi no início de 2010. Eu queria fazer teatro na Unirio e não passei por dois décimos. Eu tava passando por um momento difícil e achava que minha recompensa seria a aprovação. Não foi. 

Eu me senti incapaz, já tinha minha cena da prova prática pronta e eu não iria apresentá-la. Passei vários dias pedindo socorro, mas calada. Na época, eu não sabia que era uma crise. Só me via dentro de uma situação sem saída e que a cada dia que passava, me sufocava mais. Passou. 

2010 foi um dos melhores anos da minha vida.

Depois disso, no final de 2015, enquanto fazia o meu TCC, ela veio de novo. Eu não me sentia bonita, amada, inteligente. Eu tive uma crise de pânico no meio da rua enquanto voltava andando pra casa. Corri por dois quarteirões pra chegar mais rápido e poder chorar. Assim que fechei o portão, eu desabei. 

Eu não conseguia me levantar. Eu tava fraca, o mundo todo girava, eu tinha um enjoo constante mesmo sem me alimentar direito. 

Comecei a fazer terapia. Melhorei.

2016 começou mal, mas terminou incrível. 

Hoje, 4 de julho de 2017, eu sinto que preciso enfiar a mão dentro da minha garganta pra tirar o que me aperta o peito. O choro vem pra ver se me alivia. As minhas mãos tremem, não quero comer, o mundo gira. Eu me sinto sozinha, perdida, sem saber pra onde ir.

Eu sei que vai passar, como das outras vezes. Mas agora, dói.

Não foi fácil escrever tudo isso aqui. Mas me aliviou, e no fundo eu sabia que aliviaria. 

Ansiedade não é frescura.  



(fiz essa foto do Josué Castilho ano passado) 
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01 junho 2017

Desfile: Unama Fashion Day

Sabe quando você consegue unir duas coisas super legais e transformar em uma coisa só mais legal ainda? Pois é, foi isso que os alunos de Moda da Unama fizerem nesse final de semana. O Unama Fashion Day trouxe o bate papo do Café com Moda, uniu com os desfiles do Mostra Moda, e resultou em um sábado super produtivo e inspirador.  

No primeiro momento, o bate papo, que rolou com a mediação da Verena Vieira, trouxe a Layse Sinatra, do Pavê e Patê, o Diogo Carneiro, produtor de moda, e a Laura Navarrete, jornalista de moda e mestranda em Artes pela UFPA, para discutir sobre A Imagem da Moda. 

Desde influenciadores digitais a dificuldades que encontramos para trabalhar com moda na cidade, os assuntos que rolaram trouxeram questões importantes pra quem quer trabalhar na área. Sustentabilidade, criatividade, inovação e outras coisitas que precisam ser pensadas foram expostas pela galera da mesa, e que, com certeza, trouxeram impulsos para os futuros profissionais.    

O dia terminou com os desfiles dos alunos que concluíram o curso. As coleções desfiladas levaram excelentes no TCC, e, eu, como público, confesso que é sempre um prazer assistir a desfiles de novos criadores. 

Os Desfiles

Coleção Diabolus

A Diabolus desfilou no Dragão Fashion Brasil 2016 




Fernanda Pena

Vanuza Barbosa




Fernanda Yasmin


Rosária Vasconcelos




Claudia Austin


Camila Miranda

João Gabriel



Francy Rodrigues


Janice Pontes




Elyenne Colodetti



Flavia Sampaio

Zuila Marina


Jessica Nunes 


Lorena Chady 

Edilza Melo 





Eu adoro assistir desfiles, quando é feito por novos criadores então, acho incrível! E vocês? O que acham? 
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